Mostrar mensagens com a etiqueta sociedade. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta sociedade. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Lei do tabaco 2007, uma vitória civilizacional.

image

Por muito que se possa apontar a Sócrates, há uma coisa a que lhe serei sempre grato: a lei do tabaco de 2007.

Em 2007 havia cerca de 17,2% de fumadores entre a população maior ou igual a 15 anos. Destes aproximadamente 90% eram fumadores diários.

Apesar de constituírem menos de um quinto da população, praticamente não havia locais de trabalho, restaurantes, nem sequer hospitais isentos de fumo de tabaco.

Em 2004/2005 o governo vigente preparava-se para aprovar uma lei inócua. Depois de muita discussão e expectativa criada, o resultado final seria um mero dístico que os estabelecimentos que permitissem fumar teriam de exibir. Na prática ficaria tudo na mesma.

Muda o governo, muda o projecto de lei, tornando-se mais musculado. As proibições foram alargadas, bem como os limites de fumar.

Por incrível que pareça tudo funcionou: a sociedade concordou com a lei, respeitou-a, e até houve uma redução moderada de consumo de tabaco.

Pelo contrário, não houve falências generalizadas nem qualquer apocalipse financeiro, como alguns preconizavam.

Havia algo que pareciam ignorar: sempre que havia distinção entre lugares de fumadores e não fumadores – eg. restaurantes, comboios em viagens de longa duração –, havia sempre lugar nos primeiros, mesmo quando os últimos estavam esgotados.

Um estudo posterior concluiu que:

  • 5% dos fumadores deixou de fumar;

  • 22% dos fumadores diminuiu o consumo, em média, 9 cigarros por dia;

  • a maioria dos cidadãos inquiridos é completamente a favor da proibição de fumar:
    • 98% em Serviços de Saúde;
    • 97% em Estabelecimentos de Ensino;
    • 93% em Outros Locais de Atendimento ao Público;
    • 88% em Locais de Trabalho;
    • 80% em Restaurantes;
    • 78% em Centros Comerciais;
    • 68% nos Cafés ;
    • 64% nas Salas de Jogo;
    • 61% nos Bares/Pubs/Discotecas.
  • 94% considera que a Lei protege a saúde;

  • 55% dos cidadãos considera que a Lei não é uma penalização para os fumadores;

  • 78% dos cidadãos considera que a Lei está a ser total ou moderadamente respeitada.


segunda-feira, 1 de setembro de 2014

BCP/Millennium, ponto de vista dum cliente.

Tornei-me cliente do BCP/Millennium por “herança”. Era cliente de outro banco que foi integrado posteriormente no grupo BCP.

Em relação ao BCP, reconheço-lhes 3 vantagens face a outros bancos:

  • homebanking muito bom;

  • um número razoável de balcões – embora muitos já tenham fechado –, provavelmente o maior rácio balcão/cliente;

  • serviços “avançados” / inovadores para as épocas: já no meu banco original havia máquinas de emissão de cheques na hora, algo que se manteve no BCP e ainda hoje alguns bancos não dispõem; deposito de cheques com digitalização e pré-visualização; operações bancárias por SMS – lembro-me desta funcionalidade existir pelo menos em 2001.

De resto não tenho propriamente boas memórias. Cobram comissões para quase tudo. O exemplo mais revoltante era 1€ por transferência nacional via internet, nem sei quanto é agora. 7€ anuais por cartão de débito, 30€ pelo VISA. Felizmente o Banco de Portugal tem imposto algumas regras para proteger os clientes – embora tardias e sempre avulsas.

A relação bcp-cliente baseia-se no modelo win-lose… respectivamente.

Apesar de ser um cliente com poucas relações com bancos, já me aconteceram algumas situações caricatas:

  • Há alguns anos criaram o cliente prestige e sem mais nem menos “promoveram-me” a … isso. Quando dou por mim estava a pagar 15€ a cada 3 meses. Ainda tive que ser eu a fazer um pedido para me removerem dessa coisa que nunca pedi e, claro, fiquei a perder os primeiros 15€.

  • Num empréstimo de habitação disseram que se fosse cliente não pagava algumas das comissões envolvidas – sabendo eles que eu era cliente. Quando o negócio foi fechado vejo essas comissões serem-me cobradas. Questionados sobre isso, responderam que tinha de ter avisado antes (de quê?!). Descobri mais tarde que este comportamento repetia-se com outras pessoas, o que me leva a desconfiar que os funcionários eram instruídos nesta prática, de forma a roubar as comissões aos clientes, eventualmente ficando com o seu valor como prémio.

  • Os seguros associados ao valor da dívida desse empréstimo, que é agora metade do valor inicial, são mais caros hoje do que originalmente.

É um banco que me anda “atravessado” há muito tempo, mas sinto que não tenho grandes alternativas.

“Com banqueiros já sofri o que tinha a sofrer”, Jorge Jesus


As convicções de grupo.

Defino “convicção de grupo” da seguinte forma, algo matemática:

  • uma pessoa do grupo tem uma convicção;
  • cada pessoa do grupo acredita em alguém do grupo.

E assim se formam as crenças. Crenças em coisas que até podem não ter sentido.


terça-feira, 5 de agosto de 2014

O nosso vício e a economia.

Se num evento existirem duas filas lado a lado, uma enorme, outra pequena, é provável que na primeira se esteja a dar algo, enquanto na segunda seja a pagar.

Não sei se outros países comungam esta atitude, mas nós sentimos uma especial abjecção pelo que se paga, que contrasta com o nosso apetite pelo gratuito.

Quando extrapolado à produção de serviços os resultados deixam a desejar: não financiamos o trabalho dos outros via pagamento, porque não gostamos de pagar, mas penduramo-nos no que é oferecido, porque gostamos do gratuito. Quando o oferecido por sua vez é financiado por outros modelos, estes tendem a colapsar naturalmente.


sexta-feira, 25 de julho de 2014

Então e os jogos olímpicos?

Julho de 2014. Os últimos jogos olímpicos foram há 2 anos, em 2012. Onde andam agora os amantes do tiro ao arco, fosso olímpico e companhia?

O cenário repete-se a cada 4 anos. Acontecem os jogos olímpicos, Portugal envia uma delegação, a participação desportiva salda-se por maus resultados, e o país insurge-se… indignado contra a falta de brio e esforço e dedicação e tudo o mais dos atletas portugueses.

Por uns instantes parece que estamos perante os melhores adeptos do desporto olímpico. Não só acompanham as várias modalidades, como exigem medalhas! Isto num país tipicamente transparente no que a desporto diz respeito – exceptuando futebol e hóquei em patins. Ignoram que as medalhas são obtidas por atletas profissionais, participantes regulares em competições de elevado nível, o que contrasta com a generalidade do semi-amadorismo nacional, sem qualquer calendário desportivo minimamente competitivo face ao nível olímpico.

Mas os jogos acabam e rapidamente as modalidades olímpicas são devotadas ao seu tradicional desprezo em Portugal. Como agora.

Daqui a 2 anos há mais.


terça-feira, 22 de julho de 2014

Sinais de envelhecimento?

Segundo a seguradora Engage Mutual, segundo a Sabado, existem 50 sinais que revelam o nosso envelhecimento.

Ei-los:

  1. Gemer quando se curva: nah;
  2. Dizer algo como “isto não era assim quando eu era novo”: nah;
  3. Dizer “no meu tempo…”: nah;
  4. Perder cabelo: yep, mas isso começou já quando era novo eheh;
  5. Não conhecer nenhuma das músicas que estão no top 10 das mais ouvidas: quais são mesmo? Ok, conta como um yep;
  6. Ficar mais peludo na orelhas, sobrancelhas, nariz, rosto: nah;
  7. Odiar locais barulhentos: yep, mas sempre assim foi;
  8. Falar muito sobre articulações e alimentos: nah;
  9. Esquecer-se do nome das pessoas: é bem capaz… um yepzinho;
  10. Preferir o conforto da roupa e sapatos em vez do estilo: yep. Mas mais uma vez, sempre assim foi;
  11. Pensar que os polícias/professores/médicos parecem muito novos: nah;
  12. Adormecer em frente da televisão: depende do que estiver a dar ein, mas ok… yep;
  13. Precisar de fazer uma sesta: dá bem vontade disso, yep;
  14. Descobrir que você não faz a menor ideia do que as pessoas mais novas estão a falar: nah – há conversas que são intemporais;
  15. Esforçar-se para usar tecnologia: nah;
  16. Perder o contacto com tecnologia do dia a dia como as televisões e tablets: nah;
  17. Começar a queixar-se de cada vez mais coisas: tem dias, tem dias… mas nah;
  18. Usar os óculos ao pescoço: nah;
  19. Não se lembrar do nome de nenhuma banda recente: nenhuma é exagero, mas não são muitas… yepzinho;
  20. Evitar levantar pesos com medo de ficar com dores nas costas: ainda não… nah;
  21. Queixar-se dos programas que dão na televisão: basta não ver… nah;
  22. Não saber onde pôs os óculos/carteira/chaves: estão sempre nos mesmos sítios… nah;
  23. Trocar a “Radio One” pela “Radio Two”: nem por isso, nah;
  24. Começar a conduzir bastante mais devagar: mais devagar, mas não bastante mais, nem sequer devagar (mas sempre respeitador das leis, claro), nah;
  25. Preferir passar a noite a jogar um jogo de tabuleiro do que ir sair à noite: não propriamente, mas percebo a ideia, um yepzinho;
  26. Passar a interessar-se por programas de antiguidades: nah, embora a componente histórica sempre me tenha interessado;
  27. Falar com colegas que são tão novos que não se lembram de coisas que para si são básicas: percebo a ideia, yep;
  28. Ir de chinelos para a casa dos amigos: definitivamente nah;
  29. Ouvir os Archers (programa de rádio): nah;
  30. Adormecer depois de um copo de vinho: nah, apesar de ser mais fácil adormecer que antes;
  31. Nunca sair para a rua sem o casaco: nah;
  32. Ficar extremamente feliz por receber meias no Natal: nah;
  33. Começar a perder peso cada vez mais devagar: ou começar a ganhar? yep;
  34. Ficar ofegante por uma chávena de chá: nah;
  35. Andar com um termo de café ou chá: nah;
  36. Juntar-se ao Women’s Institute (associação que organiza uma série de actividades para envolver as mulheres na comunidade): ??? nah;
  37. Interessar-se por jardinagem: nah;
  38. Gastar dinheiro em cremes anti-envelhecimento: nah;
  39. Preferir gastar dinheiro em coisas para a casa do que numa saída à noite: nunca apreciei especialmente saídas à noite, por isso yep;
  40. Passar a preocupar-se em escolher a roupa consoante o tempo que vai estar: nah;
  41. Colocar coisas do dia a dia fora do sítio (chaves, por exemplo): nah;
  42. Tornar-se obsessivo com o jardim ou em alimentar os pássaros do bairro: nah;
  43. Gostar mesmo muito de fazer puzzles ou palavras cruzadas: nah;
  44. Conduzir sempre na faixa da direita: excepto para ultrapassagens, como diz o código, yep;
  45. Pensar em ir num cruzeiro “sem miúdos” durante as férias: definitivamente yep;
  46. Sentir que as suas orelhas estão a ficar maiores: nah, embora a barriga esteja;
  47. Juntar-se ao National Trust (associação responsável por preservar atracções no Reino Unido, desde paisagens a palácios rurais): nah;
  48. Beber xerez: nah;
  49. Sentir-se no direito de dizer tudo o que lhe apetece, sem se preocupar em ser educado: nah.

… e reparar que uma lista de 50 itens só tem 49?

De qualquer forma, com 35 nãos vs 14 sims, não sei bem o que concluir, se é que havia alguma conclusão a obter.


domingo, 13 de julho de 2014

Trim, trim...

Casos da vida.

  • Toca o telemóvel, e reparo que se trata de um número que não conheço. Atendo, é engano.
  • Pouco depois volta a tocar. Atendo e digo (constato!) que trata-se do mesmo número para que acabou de ligar.
  • Pouco depois volta a tocar… Desta vez rejeito a chamada.
  • Isto repete-se umas 4 ou 5 vezes até que desligo o telemóvel.

Nunca entendi a confusão que algumas pessoas fazem com os números de telefone. Um engano na marcação ou outro tipo de confusão é normal, mas insistir irracionalmente na coisa não. Este tipo de peripécias acontece recorrentemente. Até já cheguei “a ser” um distribuidor da Olá.


segunda-feira, 30 de junho de 2014

Os viciados na opinião, vulgo, comentadores.

Creio ter sido nos anos 90 do século passado que se dinamizou a figura do comentador. Surgiu por extensão ao editorialista e começou a ocupar parte significativa dos jornais. Hoje estão em todo o lado: rádios, televisões, web, papel.

Uns falam sobre política, outros sobre desporto, e outros de tudo um pouco. Há quem, aparentemente, viva disso. Para outros trata-se de um rendimento extra. Mas todos parecem ter um especial prazer na actividade bem como em serem “ouvidos”: a necessidade de palco. Na verdade quase todos gostamos de palco.

Os comentadores de maior estatuto tipicamente são (ex-)jornalistas ou (ex-)políticos e têm espaço garantido nos massmedia.

O vício, como tantos outros vícios, por vezes origina situações confrangedoras.

image

Mas nem só de comentadores conhecidos vive o vício. O comentador anónimo viu o seu espaço aparecer nas caixas de comentários dos sites dos massmedia. Qualquer artigo que por lá apareça é inundado por uma tribo comentarista. Cada tribo tem um núcleo permanente – embora não exclusivo – de escribas, formando-se uma pequena comunidade ad-hoc.

É um fenómeno interessante.


segunda-feira, 3 de junho de 2013

Revisitando o passado: curtas e grossas.

  • Uma página sobre Ubuntu no site da Dell fez furor na imprensa. Listava uma série de qualidades do Ubuntu como uma afirmação de vantagem face ao windows. É pena que até hoje nunca tenha conseguido comprar portáteis da Dell sem windows… e respectiva licença.

  • Nos tempos de Sócrates, Marcelo Rebelo de Sousa, o mestre do bitaite nacional, dizia que o governo não devia cair para não entrar em gestão. Antes tinha dito que estava em gestão há seis meses.

  • Santana Lopes queixava-se o quão difícil era arranjar empregadas domésticas e pessoas que tratem dos jardins. Depois terminava com uma interrogação ao leitor: “não têm sentido o mesmo?”. Siiiimmmm claro, toda a gente sente falta de jardineiros para tratar as propriedades em que vivem.

  • Claro que isto é a variante “pidó” do cliche “há trabalho, as pessoas é que não querem trabalhar”. Isto pôs-me da dúvida se o PSL se terá oferecido para limpar a casa de alguém das vezes em que foi “despedido”. Limpar no sentido higiénico da coisa, claro.

  • Esse monstro da economia que incompreensivelmente limita-se a ser um crónico cronista e subdirector do Expresso, Nicolau Santos, há uns anos desancava forte e feio na senhora Merkel porque esta, pasme-se, tinha adoptado medidas para equilibrar as finanças públicas. Este especialista de renome internacional (ou não), não tem dúvidas: a senhora é uma contabilista, e má! Ele é que bom, claro. Mas a mandar bitaites. Traçava também o destino do país: a Alemanha iria entrar em recessão. Não entrou.

  • Outro que também sabe tudo e tem sempre razão, e ainda junta a isto uma horda de idi.. err seguidores é o Sousa Tavares. Corria o ano de 2010, os impostos aumentavam e o coitadinho do senhor andava preocupado porque ganhava muito e tinha que pagar cada vez mais, apesar de falar nesses “ricos” (mesmo assim), na terceira pessoa. Então lá desabafava que essa “ínfima minoria que, em termos de saldo final, quase nada representam no bolo das receitas fiscais” é a mesma “que, apesar de tudo, foi responsável pelo crescimento de 1,8% do PIB no último trimestre, alavancado no consumo interno”. SIC.


domingo, 2 de junho de 2013

A radicalização do FCP

A radicalização do FCP está a atingir um nível demasiado perigoso. A rivalidade Benfica-Porto tem um sentido de beligerância único: Porto -> Benfica. O universo portista ataca, bate, goza, destrói, insulta, agride, intimida… O ódio exacerbado ao Benfica tolda-lhes a mente: para eles é o Benfica que faz essas coisas. O Benfica é pior. O Benfica isto, o Benfica aquilo, o Benfica, o Benfica… não lhes sai do pensamento, não lhes sai do discurso, não lhe sai da escrita. Vivem obcecados com o Benfica, desde o adepto anónimo, ao colunista, à apresentadora de televisão, ao deputado, ao secretário de estado. Toda uma sociedade adepta a dedicar energia ao que se passa no Benfica – porventura mais que ao seu próprio clube – traduzida em ódio e violência.

Perante os vis atropelos às mais elementares regras de desportivismo que acontecem sempre nos seus jogos caseiros, seja em que modalidade for, respondem que o Benfica é pior. Exemplificam com casos isolados, não reparando que neles é regra.

Em 30 anos o Porto criou uma organização “lapidar”. Têm competência desportiva, que não haja dúvidas disso, apesar de prontamente ajudados sempre que preciso. Qualquer desporto em que participam é para ganhar. Quando não ganham, fecham a modalidade. Para eles o desporto é um eufemismo de guerra. Têm “boa” imprensa, sem par a qualquer nível da sociedade. Há indícios de dominarem estruturas oficiais não só desportivas mas também civis, como polícia ou tribunais. Há uma preocupação geral em não melindrar a organização: vide a passividade da CMVM ou as questões amigas com que sabem poder esperar em qualquer conferência de imprensa ou entrevista. Possuem um pequeno exército de intimidação constituído por um núcleo duro de criminosos perigosos (vide caso Bruno Pida).

Isto produziu uma máquina de obtenção de títulos “desportivos” numas quantas modalidades seleccionadas – votando as outras ao desprezo ou mesmo ao abandono – a par de uma máquina de gestão de enormes fluxos financeiros. O efeito secundário é a criação de um universo cada vez mais perigosamente extremista e radical.

Quando já nem representantes de estado ou figuras que ocupam cargos de prestígio se conseguem controlar publicamente, quando uma sociedade começa cada vez mais a alertar para este fenómeno, é sinal que a radicalização está a chegar a um limite perigoso.


E desta foi... o Amorim.

Já tinha acontecido antes e provavelmente voltará a acontecer. Desta vez foi Carlos Abreu Amorim que resolveu enviar umas “bocas” de índole anti-benfiquista pelo twitter. Idiotas, por sinal, ainda que irrelevantes. No passado foi um artigo que destratava a instituição SLB por Francisco José Viegas. Os representantes do estado devem abster-se deste tipo de coisas devido à representatividade que carregam. Qualquer intervenção pública que façam – sendo que público é tudo o que seja exposto publicamente, ainda que a título pessoal – tem uma audiência com uma potencial diversidade que deve ser respeitada.

Bom, este caso registou um pequeno progresso: o deputado veio retratar-se (politicamente) pelo sucedido.

Como curiosidade, ambos os casos configuram o mesmo perfil: adeptos portistas a vilipendiarem o Benfica. Um padrão preocupante.


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

O regresso dos fiscais do isqueiro.

No triste período designado de novo regime, vulgo “tempo do Salazar”, era necessário ter uma licença para se possuir um isqueiro. Como pouca gente pagava a tal licença, foram postos no terreno uns fiscais, que corriam de esplanada em esplanada, à caça de tamanhos prevaricadores. O objectivo era identificar pessoas que possuíssem um isqueiro e não tivessem a licença. Contam as crónicas que estes últimos, quando desconfiavam da aproximação dos fiscais, atiravam os isqueiros para a sarjeta.

Quando hoje somos confrontados com o surgimento de uma nova geração de fiscais, cujo objectivo é identificar pessoas que não tenham exigido facturas nas lojas, estamos a regredir a algo pior que o “fiscal dos isqueiros”. Agora não se trata apenas de validar a existência de uma licença, mas a faculdade de interpolar aleatoriamente qualquer cidadão para fiscalizar uma regulação forçada da sua vivência.


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Jorge Jesus: com banqueiros já sofri o que tinha a sofrer!

Fernando Ulrich, ao ver o montante dos seus rendimentos ser abordado por uma deputada do Bloco de Esquerda, respondeu que o treinador do Benfica ganhava mais do que ele e isso não a preocupava. Claro que o homem foi desonesto: o tema relacionava-se com as suas últimas observações sobre pessoas com rendimentos muito inferiores a ele, não sendo ele, ganhando 60 mil euros por mês, a pessoa mais habilitada para falar das dificuldades dos portugueses em geral. Ora que se saiba, Jorge Jesus não anda a mandar “bitaites” sobre o que os sem-abrigo ou os comuns mortais aguentam ou deixam de aguentar.

Quando questionado sobre a tirada de Ulrich, Jorge Jesus limitou-se a dizer já sofreu o que tinha a sofrer com banqueiros. Excelente. Evitou ter que desmontar as patetices de Ulrich e verbalizou um pensamento cada vez mais generalizado: estamos fartos de bancos!


Os lonets deste mundo.

Há uns tempos dei com mais um daqueles típicos debates online onde se discutiam algumas medidas duras que tinham sido aplicadas à função pública. Não pude deixar de reparar que um dos FPs mais acérrimos tinha uma participação… demasiado frequente. Na verdade tinha um registo de 21 intervenções que começavam às 10h30 e acabavam… às 18h36. E eis um dia de trabalho bem passado.


sábado, 9 de fevereiro de 2013

IMI, o imposto imoral.

Mal ou bem os impostos existem e têm uma função. Apesar da sua existência basear-se numa relação desproporcional de força – no fundo os impostos são ditados unilateralmente por quem controla as armas – devem seguir alguns princípios:

  • exequibilidade: não exigir mais do que se pode pagar;
  • igualdade: demandar o mesmo perante as mesmas condições.

Em geral os impostos resumem-me à apropriação pelo estado de parte de uma transacção: havendo um bolo, uma parte desse bolo é retido pelo Estado em impostos. Isto garante em parte a sua exequibilidade, porque é preciso haver a produção de algo do qual possa ser retirado valor. É o caso dos impostos sobre o rendimento, sobre as vendas, etc.

Mas há uma grande excepção neste esquema: o IMI. O IMI é aplicado a terrenos e casas. Essas casas e terrenos pagam eternamente uma renda que é exigida ao seu proprietário sob a forma de imposto. Não há nenhum valor gerado que dê origem ao imposto. Assim este tem de ser forçosamente pago através de outros rendimentos, entretanto já sujeitos a impostos, o que confere uma situação de dupla tributação disfarçada.

Além disso é assumido que o proprietário terá eternamente rendimentos de sobra que paguem uma parte do valor das suas propriedades, nem sequer prevendo a hipótese dessa propriedade poder ser entregue ao estado como liquidação de imposto ou obtenção de receita.

É incrível como este imposto, ilegal a meu ver, existe.


domingo, 7 de outubro de 2012

Do Céu ao Inferno num ápice.

Margarida Marante foi notícia, por uma última vez, há dois dias: faleceu. Tinha deixado de o ser há dez anos, quando iniciou uma descida ao Inferno, em vida. Antes disso tinha cavalgado o sucesso e notoriedade como jornalista de élite, daqueles que definem o que fazem e com quem. Nunca apreciei o estilo, demasiado arrogante, mais interessada em humilhar os seus convidados, que em informar. E no entanto, tudo perdeu.


segunda-feira, 18 de junho de 2012

Do fanatismo à obsessão.

O que leva a que um “alto” representante do estado continue a manter crónicas na sua condição de culto fanático-faccioso adepto?

image

Será uma questão de dinheiro? Uma obsessão por mediatismo?

Olhamos hoje para as páginas de um jornal, assistimos a um programa televisivo ou simplesmente ligamos o rádio e o panorama repete-se: uma quantidade de figuras, colunáveis por se terem tornado colunáveis (assim mesmo, recursivo), repetindo ad nauseam os seus dislates. Sendo um direito que lhes assiste bem como uma questão “editorial” de quem os contrata, os representantes do estado dever-se-iam abster dessas actividades, precisamente devido à representatividade que carregam.


Calão do ...

Em todas as línguas existe um conjunto de palavras classificadas como calão. São os chamados palavrões, palavras feias, asneiras, que ficam mal serem ditas e normalmente são consideradas ofensivas.

Contudo morfologicamente não exibem qualquer diferença face às outras e encontram mesmo equivalência semântica noutras.

Isto significa que ao longo da história se criou propositadamente um conjunto de palavras com o intuito de ofender e/ou para serem proibidas.

E nisto temos representado um dos grandes paradoxos da nossa sociedade: uma mão tira aquilo que a outra deu.


domingo, 20 de maio de 2012

E para quando o fim da GNR?

A eterna manutenção da GNR só se entende por temor aos militares e falta de coragem política. É uma instituição totalmente anacrónica sem enquadramento na sociedade actual. A sua existência gera duplicação de estruturas com a PSP.

Adicionalmente a relação que têm com a população civil – talvez devido ao seu carácter militar – pauta-se frequentemente por atitudes de altivez e autoritarismo.

Numa altura de crise, em que tudo se corta sem qualquer lógica, talvez fizesse algum sentido cortar com racionalidade e acabar de vez com esta obsolescência. Poupavam-se custos e devolvia-se alguma sanidade à segurança nacional.


sábado, 17 de março de 2012

Até onde se pode copiar?

É certo que hoje em dia quase tudo se baseia em algo existente, e que a diferença entre adaptação criativa e cópia por vezes é difícil de estabelecer. É uma área difícil, diria até impossível, de legislar ou regulamentar.

No entanto, há “adaptações” mais descaradas…

Anúncio da Portugal Telecom (Março, 2012): http://www.youtube.com/watch?v=gDMC4ce8Vow

image

Anúncio francês do Nokia Lumia (Novembro, 2011): http://www.youtube.com/watch?v=c6Uwf2Pjf5E

image

Excluindo a parte final do anúncio francês, mais convencional, temos em ambos os casos:

  • a mesma música: AWOLNATION - SAIL (Fevereiro, 2011);
  • o mesmo conceito de fundo escuro;
  • o mesmo conceito de planos em câmara lenta com grande detalhe;
  • ausência de palavras ou falas.

Claro que “tudo o resto” é diferente…