terça-feira, 26 de abril de 2011

As portagens nas SCUTs.

Sobre a grande problemática das SCUTs, a conversa é outra … mas porque raio depois de serem introduzidas portagens nas SCUTs, alguns começaram a reivindicar portagens para o IC19, segunda circular e agora até na CRIL?

Que eu saiba as SCUTs que vão ser portajadas têm que ser… SCUTs. Construídas nesse modelo. O que não acontece nos casos acima.

Depois, todas as SCUTs têm sido vias equiparadas a auto-estradas: limite de velocidade 120km/h, separador central, etc. Qualquer das vias referidas peca pela questão do limite de velocidade.

Pior, no caso da segunda circular, trata-se de uma via pertencente à Câmara Municipal de Lisboa (CML). Na realidade a segunda circular é a sequência de 3 avenidas citadinas. A existência de qualquer portagem lá seria um absurdo enorme (portagens em avenidas??) mas seria sobretudo uma decisão da CML com verbas a remeter à CML… em nada relacionado com a questão das SCUTs, portanto.

O princípio de se é mau para nós também de ser mau para os outros tem destas coisas e torna-se ainda mais mesquinho quando o mal dos outros já existia há bem mais tempo que o nosso mal de agora.


segunda-feira, 25 de abril de 2011

Rankings da treta

O ser humano gosta de rankings. A sociedade pede-os, interessa-se e… é-lhes dado. É daquelas coisas que raramente servem para alguma coisa, mas despertam grande interesse.

Recentemente tiveram eco na imprensa dois rankings em particular: um dos melhores restaurantes, outro das melhores praias. O das praias era interessante porque apresentava na lista uma praia inglesa que até na foto parecia mal. O que até tem lógica, porque pensar em melhores praias e a seguir em Inglaterra, é quase como pensar em budismo e a seguir no Vaticano.

Mas pronto, alguém deve ficar feliz com isso…


domingo, 24 de abril de 2011

Pagar é lixado e o gratuito faz sempre falta.

Se há coisa que ninguém gosta, é de pagar. Pagar é lixado. Nunca foram àquelas feiras em que as barraquinhas que oferecem alguma coisa, por mais insignificante que seja, estão com filas enormes e as que cobram alguma coisa, por mais insignificante que seja, estão vazias?

De resto as coisas oferecidas devem ter algo mágico, porque subitamente despertam o interesse de multidões. Dá ideia que fazem falta… por serem gratuitas.

Se não mudarmos esta nossa forma de ser, dificilmente melhoramos o nosso mercado, logo condições de produção, logo condições de desenvolvimento e nível de vida. Como não estamos interessados em pagar de um modo geral — só no que tem mesmo de ser — privilegiamos as borlas, pirataria, “empréstimos”, “jeitinhos” e afins. E fazemo-lo para o que nos interessa e para o que não nos interessa. Isto é um ciclo vicioso que não só não cria qualquer valor, como não incentiva o mérito.


sexta-feira, 22 de abril de 2011

Temos demasiados feriados?

Em Portugal existem os seguintes feriados fixos obrigatórios:

Feriado fixoDia
Ano novo1 de Janeiro
Dia da liberdade25 de Abril
Dia do trabalhador1 de Maio
Dia de Portugal10 de Junho
Assunção de nossa senhora15 de Agosto
Implantação da república5 de Outubro
Dia de todos os santos1 de Novembro
Restauração da independência1 de Dezembro
Imaculada Conceição8 de Dezembro
Natal25 de Dezembro

… e os seguintes feriados móveis obrigatórios, exceptuando o Carnaval que é facultativo, mas praticamente sempre cumprido:

Feriado móvel
Carnaval
Sexta-feira santa
Páscoa
Corpo de Deus

Além disto existe um feriado municipal, em todos os concelhos. Em Lisboa esse feriado é a 13 de Junho, por exemplo.

Isto dá um total de 15 feriados.

  • 1 é sempre ao Domingo, a Páscoa
  • os outros 3 móveis, como estão relacionados com a Páscoa, são sempre em dias úteis:
    • Carnaval à 3ª feira
    • Sexta-feira santa… à 6ª feira
    • Corpo de Deus à 5ª feira

Como os restantes feriados são a dias fixos do ano, existem 7 cenários possíveis, um cenário para cada correspondência ao dia da semana. Considerando o feriado de municipal de Lisboa (mas as contas finais são independentes do feriado municipal escolhido, desde que seja sempre no mesmo dia do ano), temos os seguintes 7 cenários possíveis:

dias úteis
sabsegdomsexsegsegquaterquiquidom8
domtersegsabterterquiquasexsexseg9
segquaterdomquaquasexquisabsabter8
terquiquasegquiquisabsexdomdomqua8
quasexquitersexsexdomsabsegsegqui9
quisabsexquasabsabsegdomtertersex7
sexdomsabquidomdomtersegquaquasab6
55

Ou seja, dos feriados fixos, existem em média 55/7 = 7,857(…) que são cumpridos em dias “úteis” por ano (que nestes casos deixam de o ser).

Feitas as contas finais temos 3+7,857 = 10,857 dias efectivos de descanso, em média, devido a feriados.

Recuperando os 7 cenários possíveis e somando os feriados que são sempre a dias úteis (3) bem como os dias de férias (22 a 25), temos a seguinte tabela de dias de descanso, exceptuando fins-de-semana, que os portugueses beneficiam.

dias reais de descanso por ano, exceptuando fins de semana
33 a 36
34 a 37
33 a 36
33 a 36
34 a 37
32 a 35
31 a 34

Resumindo: no total os portugueses beneficiam de um total entre 31 a 37 dias de descanso devido a férias e feriados. Se considerarmos que países como a Finlândia ou França têm 30 dias de descanso somente em férias, prova-se que a ideia dos feriados e férias a mais em Portugal é mais outro mito urbano.


O limite de validade dos cheques.

Em Julho de 2006 os bancos portugueses, por indicação do Banco de Portugal, começaram a impor uma data limite de validade dos cheques. Esta decisão foi tomada para reduzir os riscos de não cobertura.

Por mais legítimas que sejam as razões, a prática acaba por ser lesiva para o comum dos cidadãos, se o considerarmos como alguém que emite muito casualmente um cheque e nunca o faz sem cobertura.

Durante o período de validade dos cheques, tipicamente seis meses ou um ano, este perfil de pessoas emitirá um ou dois cheques, se tanto. Como estes são vendidos pelos bancos em conjuntos, significa que os restantes são desperdiçados porque entretanto perdem a validade.

O resultado prático é tão simples quanto isto: para passar apenas 1 cheque, tenho que comprar um conjunto de 5 por 2,25 euros, acabando normalmente por desperdiçar 4. Na prática um cheque de 45 cêntimos fica-me em 2,25 euros. Voltamos ao fenómeno de comprar mais do que precisamos e manter stock morto.


quinta-feira, 21 de abril de 2011

Futre e a capitalização do disparate.

Há umas semanas, na campanha à presidência do Sporting, Paulo Futre, na qualidade de candidato a director desportivo de uma das listas, deu um show memorável, que culminou no já mítico episódio do jogador chinês.

Ora o que acontece agora? O senhor é convidado a explorar o filão da popularidade causado por esse assombro de alucinação e demência… para uma campanha comercial. Afinal interessava-lhe o clube ou “já que fui palhaço ao menos ganho alguma coisa com isso”?


Do défice à fama de opulência.

Nestes tempos de crise resultante do sobre-endividamento do estado, uma das coisas que nos tem sido apontada é estarmos a viver bem demais, com base em crédito que não conseguimos sustentar. Mas o problema é de dívida pública, por isso estamos a falar do dinheiro que o estado gasta em nosso favor e em como isso melhora o nosso nível de vida.

Vejamos então:

  • salários: são altos? Não. Segundo a OCDE a Irlanda tinha o dobro do salário médio face ao verificado em Portugal. A Espanha 66% superior e a Grécia 27% maior. De facto os salários portugueses são os mais baixos do grupo euro.

  • impostos: são baixos? Não. Não tendo (ainda) os impostos mais altos da Europa, estamos já na média superior.

  • preços: serão as coisas baratas em Portugal? Nem por isso. Temos coisas mais baratas, mas muitas outras com preços semelhantes ou até mais altos que os nossos parceiros europeus, o que resulta em maior esforço na sua aquisição por termos salários mais baixos.

Onde está então a nossa opulência (proveniente da dívida pública, note-se)?


quarta-feira, 20 de abril de 2011

A ineficiência de um país...

Há dias precisei de um pequeno componente electrónico, que custa, p.v.p, algo na ordem dos 50 cêntimos. Fui a algumas casas da especialidade mas, entre diversas peripécias, não consegui obter o que procurava. Uma semana após o início das diligências, ainda sem a peça que procurava, fiz um ponto da situação:

  • 5 deslocações a lojas;
  • 4 euros em parquímetros;
  • 33km percorridos, por automóvel — aproximadamente 3,8 euros em gasóleo;
  • uma hora e meia de tempo directamente perdido com este assunto.

Achei que chegava e após uma curta pesquisa no ebay, encomendei a peça online. Por menos de 3 euros (40% para as peças — duas, número mínimo de encomenda — e 60% em portes) encomendei a peça exacta que procurava que “veio ter a casa” numa semana.

Ou seja:

  1. para obter uma peça de ~50 cêntimos, preciso de gastar no mínimo 6x esse valor em logística na opção mais barata… que consiste em importar online!
  2. a opção tradicional tem um prémio equivalente a 14x o custo da peça apenas em “logística”.

Conclusão: é mais fácil e barato encomendar peças chinesas do estrangeiro pela internet que comprar as mesmas peças chinesas em Portugal. E a culpa nem é apenas das lojas.

Claro que este caso é muito particular, mas deixou-me a pensar… tornou-se caro viver em Portugal. Passámos do país barato da Europa dos anos 80, para o país caro do século XXI. É caro andar de transportes públicos e exorbitantemente caro usar transportes privados. E como o princípio da “localidade” desapareceu — cada vez existem menos coisas à nossa volta, no nosso bairro — é necessário deslocarmo-nos para obter coisas, logo é caro obtê-las independentemente do seu custo.

O resultado líquido disto é que:

  1. pagamos um valor substancialmente elevado face ao valor real do que adquirimos;
  2. compramos mais do que o que precisamos;
  3. ficamos, enquanto consumidores, com “stock morto”.

CRIL terminada... demasiados anos depois.

O último troço da CRIL foi finalmente terminado 40 anos depois do ante-projecto e 20 anos depois do início da sua construção.

É uma obra brutalmente estruturante para a mobilidade rodoviária da grande Lisboa.

«(…) estudos conduzidos pelo engenheiro e professor José Manuel Viegas […] que se prevê uma redução de trânsito superior a 20 por cento na Segunda Circular e na ordem dos 40 por cento no Eixo Norte-Sul. “Há ganhos para a cidade extremamente importantes: menos tráfego, menos congestionamento, menos emissões poluentes, menos ruído”»

Este último troço, de apenas 3,6km, custou 114 milhões de euros da obra técnica propriamente dita, mais 72,7 milhões em indemnizações. Segundo estudos a obra irá beneficiar cerca de 2 milhões de pessoas.

Estes últimos dados são de uma crueza enorme: estamos a falar de um investimento de 93 euros por utente. Eu arriscaria dizer que a generalidade das obras rodoviárias ultrapassam largamente esse valor. Dá que pensar sobre como os investimentos são decididos e sobre o mito literalmente urbano do sobre-investimento na área metropolitana de Lisboa.

É que existem outros projectos estruturantes desta área por concluir, margem sul incluída, muitos também há largas dezenas de anos, e palpita-me que continuem a marinar por mais algumas décadas…


terça-feira, 19 de abril de 2011

Saudosismos bacocos.

De vez em quando lá aparece a circular um desses mails virais a lamentar os novos desígnios da geração de jovens actual, bem como a lembrar quão bons eram os “nossos” tempos.

Só que antes destes já houve a glorificação de juventudes anteriores face às de então, e por aí fora. Ou seja, “a minha juventude foi sempre a melhor”. Este pensamento parece ser mesmo a única coisa que se mantém constante entre gerações: “no meu tempo é que era bom”.

Essas mensagens têm dois problemas:

  1. valorizam exageradamente os eventos do passado: numa dessas mensagens referia-se “no meu tempo [lá está], havia músicos como Rick Astley e Belinda Carlisle”… eh? Okay…

  2. exageram os comportamentos actuais, dando realce a alguns comportamentos menos positivos e generalizando-os a toda uma juventude.

Resumindo: no tempo de cada um é que era, e mai’ nada!


segunda-feira, 18 de abril de 2011

Google e a fruta para dormir.

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domingo, 17 de abril de 2011

A lição da Bela Vista...

Faz agora perto de dois anos que ocorreram célebres incidentes na Bela Vista, em Setúbal. A história passa-se em 2009, e a cronologia resumida dos acontecimentos é a seguinte:

  • noite de 29–04: cinco criminosos roubam um bmw 530d (sedan) em Palmela por carjacking;
  • com o carro “novo” dirigem-se ao Algarve, zona do Alvor;
  • às 6h da manhã de 30–04 roubam o multibanco de um hospital;
  • a polícia surpreende-os, tentam fugir e um acaba por ser ferido a tiro na nuca, após ter tentado atropelar um agente, morrendo pouco tempo depois;
  • 07–05: depois do funeral, no cemitério de Setúbal, uma multidão de amigos e família regressa à Bela Vista, onde vivia o criminoso morto, e surgem conflitos com a PSP que possui uma esquadra nesse bairro.

A partir daí surgem motins e vários actos de grave desordem pública: a polícia foi apedrejada, houve três disparos contra a esquadra a partir de um automóvel, alguns carros, motas e contentores do lixo/reciclagem queimados, cocktails molotov arremessados contra a polícia… e tudo isto sem que ninguém tenha sido detido sequer.

Perante tudo isto é-me claro o seguinte:

  1. as autoridades perderam o controle efectivo do espaço nacional ao nível de certos bairros. Como pode um contingente bastante numeroso de polícia ser alvo destes ataques sem que se tenha assistido a qualquer detenção?

  2. os criminosos têm um aparente “salvo conduto” para realizarem os seus crimes até determinado nível: desde que não matem, tudo lhes é permitido. Se são apanhados, mesmo em flagrante, em crimes cometidos com armas, ficam a aguardar o julgamento em liberdade, com apresentações periódicas às autoridades, que regra geral não cumprem, sem que nada lhes aconteça;

  3. pior — em minha opinião — foi constatar o apoio que os criminosos têm dos bairros onde vivem. Sempre se ouviu dizer que os criminosos dos bairros problemáticos eram uma minoria que davam mau nome ao bairro, onde viviam pessoas honestas na sua maioria. Acredito que sim, mas são estas honestas que os suportam, e isso ficou claro no caso Bela Vista. Vê-se como são defendidos ou como são relatados como “santos” e pessoas de bem… depois de mortos. Não questionam de onde vêm os BMWs que roubam, nem como um gang, o do multibanco, acumulou 2 milhões de euros. Branqueiam o fruto das suas acções criminosas. Patrocinam-as e suportam-as alimentando-os, dando-lhes abrigo, dormida, etc.

Esta foi a grande lição do caso da Bela Vista de 2009. Além dos “problemas de integração social”, existe cumplicidade das gentes dos bairros com os seus piores elementos. Para combater a raiz da criminalidade que destes provém, devia-se também responsabilizar quem lhes dá protecção e guarida por cumplicidade.


Jornada 17 da liga 2010/2011

Hoje acompanhei dois jogos da liga: Benfica 2–1 Beira-Mar e FC Porto 3–2 Sporting. De algum modo fiquei com a sensação que esta jornada retrata um pouco o que se passou ao longo da época: um golo limpo anulado ao Benfica, um penalti claro não assinalado contra o clube do Porto.

Também foi delicioso ver um jogador do clube do Porto derrubar o seu próprio guarda-redes na pequena área… e o árbitro assinalar falta!


quarta-feira, 13 de abril de 2011

"Adeptos portistas assaltam lojas em Portimão"

A Praia da Rocha, em Portimão, foi esta manhã literalmente tomada de assalto por um grupo de adeptos portistas, protagonistas de assaltos vários (…).

Criminosos em bandos é um fenómeno fácil de surgir. Nuns casos mais que noutros.


Sócrates 2011 e as aldrabices virais

Confesso que nunca percebi a razão pela qual tanto se inventa e, sobretudo, divulga, tantas aldrabices.

Dito isto, acaba de nascer mais um “”facto“” viral: o domínio socrates2011.com foi criado em 24 de Fevereiro de 2011, mas os eventos que levaram à demissão do governo apenas aconteceram umas semanas depois. Logo… todo o processo demissionário teria sido uma encenação calculista, já que o site de apoio à campanha teria sido criado anteriormente.

Acontece que esse site foi criado para servir de apoio à recandidatura de Sócrates a secretário-geral do PS no congresso a decorrer posteriormente. Percebe-se não só pelo conteúdo do site mas, duvidas houvesse, encontramos nesta “notícia”, datada de 24 de Fevereiro de 2011 o seguinte cartaz, que parece bem explícito.

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Não se goste do homem à vontade, mas não inventemos.