sábado, 14 de maio de 2011

gildot transformado em arquivo

Em Setembro de 2009 escrevia sobre o gildot: «Gradualmente perderam-se as notícias, as contribuições, os bons comentários, resumindo, o interesse. E sem interesse, o fórum enquanto fórum desapareceu. À data em que escrevo isto o site continua teimosamente no ar, apesar de já estar “morto” há muito tempo. E isto é um fenómeno interessante por si: é que os donos do site nunca tomaram a decisão de o fechar (como aconteceu com o ptnix), não houve bater de portas, nem despedidas melo-dramáticas como noutros lados. Simplesmente foi-se definhando… pura e simplesmente perdeu interesse.»

Há dias verifiquei que entretanto o gildot foi transformado em arquivo, i.e., continua a mostrar a informação que tinha mas abandonou o modelo de fórum que possuía. É positivo, já que permite manter viva a informação respeitante a um período, produzida em Portugal, por portugueses, ainda que, verdade se diga, tudo aquilo ser obsoleto hoje em dia e ser algo irrelevante para ter interesse “histórico”.


O programa que "só" a troika soube fazer

A troika esteve cá 15 dias e fez um programa de combate à crise como nenhum governo até hoje foi capaz de fazer.

Depois da vinda da troika a Portugal para acordar os termos do empréstimo internacional, frases na linha da de cima foram-se repetindo por diversas pessoas em diversos lados.

Independentemente da boa ou má opinião que se tenha dos nossos políticos, governantes e governos, a ideia expressa é errónea.

A troika pôs um plano de recuperação da dívida no papel, sem olhar a questões sociais e sem conhecer o país. Mas sobretudo, sem ter que se sujeitar a eleições. Ou seja, um plano meramente técnico que assume o cenário ideal: ausência de efeitos de contestação e cumprimento genérico.

Os partidos e os governantes têm o cenário oposto: oferecem um plano que vai ter concorrência dos dos outros partidos e estão sujeitos a eleições. Não podem ignorar as questões sociais, a contestação, o incumprimento, as fraudes, etc. Ou seja, têm que enfrentar o país real.

Algures entre estas duas realidades, i.e. entre o melhor plano teórico e o melhor plano eleitoral, estará certamente a virtude, o que indiciará provavelmente um problema de modelo. Independentemente disso, são de facto realidades diferentes, pelo que não faz sentido comparar o “programa” da troika com qualquer dos programas de governo do passado.


sexta-feira, 13 de maio de 2011

"O que os Finlandeses precisam de saber acerca de Portugal"

O que os Finlandeses precisam de saber acerca de Portugal ou “What the Finns need to know about Portugal” é um vídeo produzido pela Câmara de Cascais num contexto em que Portugal está virtualmente na bancarrota, à espera de ajuda estrangeira (leia-se: dinheiro) e na Finlândia surgem contestações a essa ajuda. O caso torna-se problemático devido à necessidade de unanimidade na União Europeia para a concessão de ajuda, não pelo significado da contribuição finlandesa.

O vídeo é brilhante, apesar de pessoalmente não o ter apreciado. Mas factos são factos: o vídeo teve uma aceitação brutal nos media, na comunidade, “beneficiou” do efeito viral e, prova última do seu sucesso, deu origem a uma série de cópias. É hoje trivial encontrar um qualquer “o que é que xxx precisa de saber acerca de yyy”.

Introdução feita e passando ao lado das opiniões óbvias, o que me chama atenção aqui é o seguinte paradoxo: Portugal, em situação de bancarrota, gasta dinheiro para mostrar aos outros que nos devem emprestar dinheiro!

E está tudo dito.


quarta-feira, 11 de maio de 2011

As erradas "justificações" para votar PS

Do que tenho percebido existe a ideia generalizada que os recentes governos do PS, de Sócrates, foram maus, ou mesmo bastante maus.

Ainda assim existe uma considerável parte dos eleitores dispostos a reeleger o PS para formar governo.

Porquê? Estas são as justificações que mais oiço:

  1. porque a crise foi internacional, logo o governo pouco ou nada podia fazer;
  2. porque não existe alternativa melhor;
  3. e a mais recente, porque qualquer governo terá que implementar as medidas da troika, por isso tanto faz.

Com o devido respeito, nenhuma das justificações parecem fundadas, soam antes a desculpa para justificar um voto incondicional. Vejamos:

  1. a crise internacional causou uma falta de acesso ao crédito, mas o maior dos nossos actuais problemas é o estado ter contraído crédito a mais. Não foi essa crise que fez o estado português aumentar a dívida pública de 90 mM eur em 2005 para os actuais 160 mM eur;
  2. a qualidade das alternativas é desconhecida, mas a da continuidade é má. É uma escolha entre o certamente mau e hipotético mau. Ora entre a certeza do mau e a incerteza do risco, creio ser preferível o risco;
  3. as medidas da troika não constituem per se a totalidade de um programa de governo, portanto há margem para diferenciação. Mas ainda que assim fosse, existe o factor concretização. Se o actual governo já deu mostras de não conseguir concretizar os seus próprios orçamentos, é pouco credível que consiga concretizar as medidas da troika.

O circuito fechado da política e comunicação social

Os políticos tentam convencer a população e a comunicação social chega à população. Por outro lado a comunicação dinamiza-se com novidade de conteúdos e os eventos políticos constituem novidade (ainda que recorrente).

Isto causa um circuito fechado: os políticos tendem a usar primariamente a comunicação social para chegar à população e a comunicação social tende a conceder espaços generosos aos políticos para dinamizar os seus conteúdos.

É um fenómeno interessante, mas corre o risco de se tornar vicioso. Isso acontece se o político eleger a sua presença na comunicação social como um fim e não como um meio de chegar à população. Nesse caso a sua presença e mensagem será optimizada para o formato que melhor efeito produz na comunicação social em vez de optar pela mensagem que melhor esclarece a sua posição. Por seu turno a comunicação social vai privilegiar e valorizar quem atrai mais audiência.

Este efeito faz-se sentir hoje em dia: o bom político deixou de ser o que apresenta as melhores propostas ou o que teve a melhor execução, mas antes quem teve a melhor “estratégia” de comunicação, o que montou o melhor ardil, o que “ganhou o debate” ou o que fez o melhor discurso. Coisas que realmente pouco importam na vida das pessoas.


O PS e o FUD

FUD: Fear, uncertainty and doubt, frequently abbreviated as FUD, is a tactic used in sales, marketing, public relations, politics and propaganda. FUD is generally a strategic attempt to influence public perception by disseminating negative and dubious/false information designed to undermine the credibility of their beliefs.

Incrível como o PS tem vindo a fazer FUD descarado. Primeiro foi FUD com os “mercados”, depois FUD com a crise política, a seguir FUD com o FMI, ainda FUD com as medidas apocalípticas que o FMI imporia e agora FUD com as propostas do PSD. É caso para se dizer: FUDa-se!


sexta-feira, 6 de maio de 2011

Homenagem a Fábio Coentrão!

Fábio Coentrão

Formado no Rio Ave, foi contratado pelo Benfica em 2007/08. Andou dois anos em empréstimos — apesar do seu já evidente potencial — até ser finalmente “aproveitado” por Jorge Jesus em 2009/10. Com Di Maria a tapá-lo na sua posição de então, extremo esquerdo, Jorge Jesus adaptou-o a lateral esquerdo para ter lugar na equipa titular.

Depois… depois foi o catapultar daquele que neste momento será provavelmente o melhor lateral esquerdo do mundo. De titular indiscutível no Benfica a titular indiscutível da selecção foi um ápice. Enquanto jogador ocupa toda a faixa esquerda, defende bem, ataca melhor. Rápido, (quase) inesgotável, enérgico, batalhador, nunca desiste.

Além de tudo isto, é a imagem da raça, do querer, da devoção.

Sente o que faz, algo caído em desuso com desumanização do negócio do futebol.

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O Benfica vai ficar mais pobre quando o “vender” por muitos milhões.


Benfica 2010/2011 - a época do quase.

2010/2011 eis a época do “quase” para o Benfica:

  • 2º lugar da Liga
  • meias finais da Taça de Portugal
  • meias finais da Liga Europa
  • campeão da Taça da Liga

Em termos de títulos, uma época equivalente à fracassada de Quique Flores: apenas a taça da liga, a mais recente competição do calendário nacional que já por dois anos “evitou” que o Benfica ficasse em branco nos troféus (embora não sirva de grande consolo, verdade se diga).

Em termos de prestações, uma época bem melhor, contudo. Com Quique o Benfica ficou-se pela fase de grupos da Liga Europa (em último do grupo), em 3º na Liga e foi eliminado precocemente da taça de Portugal.

E no entanto esta época talvez tenha sido a mais amarga. E porquê? Pelo quase. Pelas derrotas face aos rivais do ódio.


quinta-feira, 5 de maio de 2011

"Soares não comenta acordo com troika porque não o leu"

Soares não comenta acordo com troika porque não o leu

«“Eu ainda não o li, portanto não posso manifestar a minha opinião”, reforçou o antigo presidente da República, (…)»

Será o mesmo Mário “não conheço os dossiers” Soares que diz isto? Os tempos mudam, as pessoas também… ou simplesmente pronunciam a primeira desculpa que lhes vem à cabeça para se negarem a algo.


Justiça da treta = impunidade

«O ex-árbitro de primeira categoria Martins dos Santos foi detido pela PJ do Porto em flagrante com “dinheiro vivo” fornecido a título de suborno pelo presidente da Associação Desportiva de São Pedro da Cova, em Gondomar, e supostamente destinado a outro árbitro para evitar a descida de divisão, apurou o JN. Vai aguardar julgamento sujeito a Termo de Identidade e Residência. (…)

O ex-árbitro foi um dos arguidos do processo Apito Dourado. No âmbito de um inquérito autónomo referente ao jogo Marítimo-Nacional, da época 2003/04, foi condenado a 20 meses de prisão, com pena suspensa. Mas esta condenação foi anulada pelo Tribunal da Relação do Porto, que ordenou a repetição do julgamento.»

À primeira vista poderá parecer que o homem padece do mesmo problema de tantos outros: reincidir num crime, de forma talvez irracional. Mas será mesmo irracional essa reincidência? Se o primeiro crime foi branqueado pela justiça, é porque há impunidade. Se há impunidade porque não repetir o que (lhe) é proveitoso?

É este o mau serviço que a (in)justiça portuguesa tem prestado à sociedade.


Roubarcelona?

Depois de mais uma meia-final da liga dos campeões vencida, desta vez ao Real Madrid, com dois jogos polémicos, dos quais terá saído beneficiado, põe-se a questão legítima se não estaremos perante um rouBarcelona.

Ser a melhor equipa do mundo não adianta muito se não se ganham os jogos. Mas ganhar jogos com ajuda não prova que se é a melhor equipa do mundo. Por isso não se percebe se sem ajudas o Barcelona consegue levar tudo de vencida ou, se pelo o contrário, o seu alegado “bonito” e “bom” futebol claudica face ao pragmatismo de outros “futebóis menores” e “feios”.

Começam a ser já demasiados casos, a quem nem o Benfica escapou em 2005/2006, com um penalti perdoado ao Barcelona na Luz, entre outras pequenas decisões contrárias ao emblema nacional em ambas as mãos.


sábado, 30 de abril de 2011

João Paulo II, o milagreiro.

João Paulo II vai ser beatificado por alegadamente ter feito um milagre. E que milagre foi esse? Uma freira — coincidência — francesa que sofria da doença de Parkinson, curou-se após ter rezado e pedido ajuda a João Paulo II… nos meses seguintes à sua morte! Um comité, ou algo que o valha, do Vaticano atestou o “milagre”.

Mas ainda continuamos a alimentar estas patranhas pré-medievais?


O "casamento real" e a pequenez humana.

William e Kate… Kate e William… bla, bla, bla, bla, … epa, arranjem uma vida!

Admito que o problema possa ser meu, mas não consigo compreender como é que a treta de um casamento possa ser elevado a um dos fenómenos mais importantes da Terra. Ok, um casamento “real”… da realeza, esse conjunto de indivíduos que se vêem artificialmente colocados num estatuto supremo.

Enfim, “monarquices” à parte… durante várias semanas tentei ignorar «o evento», como faço com as coisas que não me interessam. Mas no dia do casamento (ontem), não deu hipótese, foi um bombardeamento em tudo o que era media, acompanhado por uma adesão — alegadamente — de audiências, que me deixam estupefacto!

Notas:

  • falou-se em 2 mil milhões de pessoas de audiência à coisa? Será mesmo, quase 1/3 da população terrestre?
  • vi, em locais de trabalho, gente a seguir por streaming a coisa… e não se limitavam a seguir discretamente no seu posto, não, iam mesmo comentando de viva voz os vários incidentes.
  • porquê tudo isto? Seremos ainda tão pequenos para sentir a necessidade da ilusão dos contos de fadas e príncipes encantados?!

Futebol e arbitragens: Portugal vs Europa

Desde o início da época que achei excessivo os castigos disciplinares à equipa do Benfica. Como sou Benfiquista, isso poderia resultar de um vício de parcialidade. Mas quando se vêem jogadores que nem sequer tocam no adversário e recebem amarelo por isso, como aconteceu a David Luiz no Guimarães-Benfica, torna-se difícil não sustentar essa ideia.

Entretanto, após o primeiro jogo da meia final da Liga Europa Benfica-Braga, com duas equipas portuguesas e um árbitro estrangeiro, reparei que o Benfica teve apenas um único amarelo em todo o jogo.

Fui recolher algumas estatísticas e eis alguns dados curiosos:

competiçãonº amarelosnº jogosamarelos por jogo
Liga Europa1071,4
Liga Nacional78272,9
Liga Nacional (1os 5 jogos)2555!

Ah pois é… deve ser o Benfica que muda a forma de jogar na Liga Europa, deve ser isso!


quinta-feira, 28 de abril de 2011

Oh Jesus, calado és um poeta!

O Jorge Jesus tem tido tiradas um pouco infelizes, embora também se exagere muito em relação a isto. Mas hoje foi demais. Segundo ele, deve ser avaliado pelos títulos conquistados que são 3 em 2 anos, comparados com os 6 que o Benfica ganhou nos últimos 17 anos. Portanto, apenas em 2 anos, teria duplicado a cifra.

Este raciocínio tem 2 problemas:

  1. não foram 6 títulos ganhos em 17 anos, mas sim 8. Poucos para a dimensão do clube, ainda assim, mas sempre são mais que 6.

  2. 2 dos 3 títulos ganhos por Jesus são Taças da Liga, competição que vai apenas na 4ª edição, sendo impossível, portanto, ter sido ganha no passado, quando ainda não existia.

O que Jesus não disse, mas merece ser dito, é que pôs o Benfica a jogar como há muito não se via. Fez uma época passada excepcional, embora com alguns deslizes. Recuperou jogadores que já por cá andavam emprestados ou sem rendimento e agora são alvo de cobiça internacional. Criou uma equipa competitiva. É certo que este ano podia ter feito melhor, perdeu quase em toda a linha contra o principal rival interno, mas ainda tem um score minimamente positivo — meias-finais da Taça de Portugal, Taça da Liga ganha, 2º no campeonato e, para já, meias-finais da Liga Europa — algo que no passado recente não passavam de miragens.

Creio que Jesus ainda tem crédito, mas tem que aprender com os erros e não repeti-los na próxima época.