quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

As nossas marcas, II

parte 1

Com o avolumar dos negócios e aquisições entre empresas a nível internacional, o "nacional" tornou-se uma caldeirada. Desde os "made in" noutros lados vendidos como portugueses, aos "made in" cá para marcas de lá.

Uma empresa de importação e distribuição tipicamente compra a chineses e espanhóis, embala e injecta no mercado nacional. Do outro lado temos as empresas que laboram cá, mas são propriedade de estrangeiros. Neste último caso aproveitam-se os empregos e investimentos.

O caso da Sagres é um exemplo desta última situação: uma empresa praticamente "100%" portuguesa, com uma grande excepção, pertence à Heineken.

Também há situações mistas, grandes internacionais não portuguesas, mas que têm parte da produção cá. É o caso dos gelados Olá: uma marca internacional da Unilever, mas tem fábrica em Portugal às portas de Lisboa, que além de produção para exportação tem gelados exclusivos cá para o burgo.

Seja como for, é bom ver que não só "vamos" mantendo alguma produção interessante por cá, como esta tem produtos que a meu ver competem com o melhor do que se faz lá fora.

O expresso e o afrutalhado

Ainda a propósito do afrutalhado do expresso, repito a análise dos menos da comunicação social web 2010 referente a este:

Na ânsia de [no expresso] se modernizarem e adaptarem à nova web foram repescar um conceito com 10 anos, os blogs. E o que trouxeram alguns desses blogs? Futilidades, devaneios casuais, ausência de rigor e até mesmo fanatismos pessoais, como o caso do afrutalhado. Sugere-se uma reanálise à quantidade e qualidade dos blogs adoptados.

É que um blog a título pessoal pode ser tudo isso, um blog publicado numa instituição noticiosa devia ser (muito) mais que isso.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O caso do fórum ah III

1, introdução; 2, estado das coisas; 3, reflexão.

Será legítimo que o dono de um fórum tenha total poder e controlo sobre o mesmo? À partida sim, paga a infraestrutura física e suporta a instalação e manutenção do software. O dono, ou os seus representantes, têm a "liberdade" de tornar um fórum ditatorial -- eles ditam o que tem de ser feito -- de impor as condições de uso que queiram, proibir o que lhes der na gana, reservar o direito de admissão, etc.

Adicionalmente qualquer utilizador só usa esse fórum, ou um site genericamente, se quiser. Eu, por exemplo, não sou utilizador do fórum ah.

Mas havendo utilizadores desses sistemas, não terão eles quaisquer direitos? Todas as condições que lhes são impostas para acesso aos serviços serão legais? Não sei. Faz sentido que os conteúdos escritos pelos utilizadores a eles pertençam, por exemplo. É de resto comum os sites declinarem responsabilidade face aos conteúdos produzidos pelos utilizadores. Portanto se declinam a responsabilidade dos conteúdos é porque não os consideram sua pertença. Por outro lado estes são efectivamente escritos por outrem e os seus direitos não foram transmitidos ao dono do fórum. Ainda que houvesse uma cláusula de utilização do fórum nesse sentido -- que pelo que sei, não costuma haver -- provavelmente seria abusiva, pois o utilizador estaria a ceder os direitos à sua propriedade intelectual apenas pelo direito de usufruir o fórum.

Assim sendo, um utilizador banido não deverá poder reclamar todos os conteúdos que escreveu num dado site? Diria que sim. Adicionalmente isso daria algum equilíbrio à actual relação de poder entre os donos dos sites e os seus utilizadores. O dono ou representante do site, ao expulsar um utilizador, corria o risco de perder todo o conteúdo por ele produzido.

No caso do fórum ah, pela quantidade de comentários existentes autoria de utilizadores "banidos", isso traduzir-se-ia num enorme decréscimo do seu património. O que diminuiria o seu interesse, captaria menos utilizadores. Ao não acontecer, o ah beneficia do melhor que os utilizadores lhe dão -- a informação -- e livra-se deles quando se tornam indesejáveis aos seus donos ou representantes.

Outra questão pertinente é a legitimidade das condições impostas. Por um lado estamos a falar do direito à propriedade. Eu crio algo, esse algo é meu. Por outro, se esse algo se tornar demasiado interessante perante a comunidade posso continuar a condicioná-lo arbitrariamente? A minha liberdade individual diz-me que sim, o interesse colectivo diz que não. Por exemplo, tendo em conta os mais de 500 milhões de utilizadores do facebook, poderão os seus donos, ou representantes, arbitrariamente expulsar utilizadores ou impor condições abusivas, como obrigar à cedência de dados estritamente pessoais? Muitos utilizadores provavelmente acham que não. Eles consideram-se no direito de usar o facebook em condições razoáveis, apesar do facebook ter donos, ser privado e poder ser gerido de livre arbítrio.

E o que diz a lei sobre este? Não faço ideia. Nem sei se a lei portuguesa terá algum artigo obscuro aplicável à situação. Mas é expectável que venham a ser produzidas leis específicas para lidar com estes casos porque com o crescimento contínuo da utilização da web, estes problemas tenderão não só a aumentar, como a "subir de tom".

Nota: o fórum ah -- na sua vertente offtopic em particular -- foi usado apenas como exemplo para esta reflexão, devido à sua conjugação de características relacionadas com o tema.

O caso do fórum ah II

1, introdução; 2, estado das coisas; 3, reflexão.

Navegando na secção offtopic do fórum autohoje rapidamente saltam à vista vários factos:

  • uma enorme quantidade de (ex-)utilizadores banidos;
  • um regime de funcionamento ditatorial (algo relativamente comum à generalidade dos fóruns);
  • exercício de poder discricionário.

Pesquisando um pouco mais chegam-se às "causas" deste statu quo:

  • utilizadores não cumprem as regras;
  • sem regras o site acabaria por se transformar num caos, palco constante de insultos, desagradável, sem interesse e eventualmente acabaria por fechar.

(continua)

O caso do fórum ah I

1, introdução; 2, estado das coisas; 3, reflexão.

Nota importante: não sou, nem nunca fui, utilizador do fórum ah.

Dito isto... é quase impossível usar a web sem fazer pesquisas e é pouco provável pesquisar em português sem acabar por encontrar o fórum ah. Isso não se deve ao seu principal tema, automóveis, mas sim à sua vasta secção de offtopic. O offtopic é uma secção generalista comum a muitos fóruns. Lá fala-se de tudo um pouco. A maior parte dos fóruns que a possui ou não têm dimensão suficiente / longevidade para constituir um offtopic rico ou usa procedimentos automáticos de purga dessa secção, por não ser tema do fórum.

No caso do fórum ah existe dimensão (muitos utilizadores), longevidade e arquivo da secção offtopic (existem mensagens nessa secção datadas de 2006). Isto constitui um património imenso de conhecimento, de experiências, de casos reais contados na primeira pessoa. Também constitui uma enorme colecção de lixo, disparates, conversa da treta inócua, ardis mais ou menos bem elaborados.

(continua)

Melhor equipa ... da treta.

Não se percebe porque é que a "melhor equipa do mundo" continua a precisar de penaltis inventados para ganhar jogos.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

E um governo que não se meta onde não é chamado?

Precisamos de um Presidente que não se meta onde não é chamado, diz Santos Silva, ministro da Defesa.

E que tal um governo que não se meta onde não é chamado? Ou melhor ainda, e que tal um estado que não atrapalhe a vida dos cidadãos?

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Os donos da razão, II

Cenário: fulano conduz um carro e diz que está com consumos elevados porque já teve um igual e lembra-se que os dados do computador de bordo eram inferiores.

Facto: o carro que teve "igual", afinal tinha algumas diferenças e uma delas era o facto de não ter computador de bordo!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Os donos da razão

Hoje passei um cheque cuja validade terminava também hoje. "Ok, não há problema porque à data de emissão o cheque ainda é válido.", pensei eu. Mas quem ia receber o cheque, por insegurança, não o aceitou. Até aqui tudo bem, compreendo que não queiram assumir o risco e acabei por emitir outro. O que me chamou a atenção foi terem insistido até à exaustão que não, o cheque não era válido porque "amanhã", quando fosse ser levantado, a data de validade já tinha expirado.

Diz-me a prática que tipicamente quem não tem razão é quem mais teima. E assim foi. Após uma consulta aos sites de alguns bancos e do Banco de Portugal, confirmei que a validade refere-se à data de emissão, como é óbvio.

"Direita ficou desiludida com leilão"

O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, acusou a direita de ficar "profundamente desiludida" com o resultado do leilão da emissão de dívida.

Mas que é isto, política "à Pinto da Costa"? Só tem um pequeno problema, é que aqui a fruta não funciona.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

As nossas marcas e os bens transaccionáveis

Nunca tanto se ouviu falar dos ditos "bens transaccionáveis" desde que as exportações se tornaram a panaceia anti-crise. Diz-se que em Portugal se abandonou a agricultura, deixou-se cair a indústria e os serviços não transaccionáveis cresceram demasiado (ironicamente ensinava-se na escola nos anos 80 que eram estas as características de um país desenvolvido!).

Afinal que marcas temos? E serão os seus produtos competitivos (preço, qualidade) quer internamente, quer lá fora? Eis apenas algumas das "nossas" marcas, todas elas com excelentes produtos:

  • sumos: compal, sumol
  • águas: luso, fastio, vitalis
  • leite e derivados: grupo lactogal (mimosa, adagio, agros, gresso, et al), limiano, terra nostra
  • cerveja: sagres, superbock
  • conservas: compal, ferbar
  • conversas peixe: bom petisco, ramirez
  • salsichas, fiambres: nobre, izidoro
  • condimentos: paladin, savora, margão
  • arroz e massas: cigala, nacional, milaneza
  • café: delta
  • cutelaria: icel, ivo, sico, silnox, cutipol
  • plásticos, papéis: silvex, renova, navigator
  • roupa: l.a./lanidor, salsa, throttleman, petit patapon, quebramar

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

As agruras do nosso futebol

Braga 3-1 Guimarães entre golos irregulares (em fora de jogo), penaltis inexistentes e expulsões duvidosas, assim vai o nosso futebol e a nossa arbitragem.

Esta época tem sido de resto uma das piores a nível de arbitragens que me recordo, desde as míticas da segunda metade dos anos 80 e anos 90.

Actualmente há um clube em que os penaltis quase só são marcados a favor. Contra, apesar de terem acontecido por várias vezes, apenas uma vez foi assinalada. Claro que para compensar, como o jogador adversário marcou à primeira, o árbitro amigão mandou-o repetir e aí sim falhou como era suposto.

Campeonato estragado, imberbe inchado.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Byblos, um exemplo de insucesso

Há pouco mais de 3 anos era inaugurada a Byblos em Lisboa, "a maior e mais moderna livraria portuguesa". Em menos de um ano faliu.

Durante anos os nossos melhores especialistas do bitaite indicaram o caminho para a luz: inovação, tecnologia, dimensão. Ora a Byblos teve isso tudo: era uma biblioteca colossal, desde a superfície comercial ocupada ao número de títulos que oferecia, foi inovadora e usava tecnologia em abundância, já de si pouco comum em espaços comerciais, mais ainda numa livraria. E no entanto não durou um ano. Porquê? Não sei. Nem eu nem os bitaiteiros.

Sempre me fez uma enorme confusão como pessoas com zero escola de vida arrogam-se em dizer aos outros o que fazer.