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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

E se consertasses o estádio?

Mesquita Machado, presidente de câmara há cerca de 35 anos, investigado por indícios de corrupção, ex-detentor de cargos no futebol profissional, patriarca de uma família enriquecida à conta de negócios feitos na câmara que preside, personifica para mim o que pior há na sociedade portuguesa.

Enquadra-se na figura do político carreirista, que acumula “n” cargos díspares, envolvido em negociatas obscuras de onde saem beneficiados familiares e amigos, alimenta-se e promove a promiscuidade de interesses entre o futebol e a política.

  • Alguns dos cargos que desempenha ou desempenhou: presidente da Câmara Municipal de Braga, secretário de Estado do Fomento Cooperativo, membro da Comissão Nacional do PS, presidente da Mesa da Assembleia da Federação Distrital de Braga, deputado, presidente do Sporting de Braga, presidente da Mesa da Assembleia-Geral da Federação Portuguesa de Futebol, membro da Comissão de Reserva Agrícola do Norte, presidente do Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular, membro do Comité das Regiões da União Europeia.

  • Notícia do C.M., de 14 de Fevereiro de 2009, sobre a investigação que foi alvo: «Mesquita Machado, presidente da Câmara de Braga há 32 anos, tem uma considerável fortuna pessoal e o seu “olho” para o negócio parece ter passado para a família. Cláudia, Francisco e Ana Catarina, agora com 38, 35 e 31 anos, apresentam níveis de vida faustosos, bastante superiores ao rendimento que declaravam.»

  • As suspeitas de negócios estranhos levaram o CDS-PP a questionar por algumas vezes as suas operações: «(…)o CDS-PP acusou o Sporting de Braga de ser “barriga de aluguer de empreiteiros”. Queria saber o paradeiro do dinheiro resultante de urbanizações e bombas de gasolina construídas em nome do Sporting de Braga e do ABC e que, entretanto, passaram para as mãos de empreiteiros bracarenses.»

E no meio de tanta coisa o senhor nem é capaz de manter o seu estádio municipal em condições para disputar um jogo da 1ª liga de futebol.


sábado, 17 de setembro de 2011

Fazer política através de notícias ou vice-versa?

Um hábito que se tem intensificado nos últimos governos — independentemente da sua composição partidária — é o surgimento regular de notícias a revelar pretensas medidas a serem tomadas num futuro próximo. Raramente algumas destas cachas jornalísticas se vêm a concretizar tal como foram noticiadas e frequentemente são desmentidas de seguida pelas autoridades respectivas.

Só nos últimos meses, sem qualquer pesquisa, vêm à cabeça: o convite de Mário Crespo para correspondente da RTP, o lançamento de portagens no IC19 e CRIL e, ainda ontem, o aumento da electricidade em 30%. Isto excluindo as notícias sobre matéria fiscal que são aventadas quase semanalmente.

Muito sinceramente ainda não consegui perceber o fenómeno: se se pretende fazer política via notícias ou se se pretende fazer notícias via política.

Política via notícias: é uma tese que encontra algum eco. Os governos ou autoridades em geral lançam uma medida drástica via comunicação social, essa medida gera alguma revolta na sociedade mas simultaneamente algum efeito de aceitação devido à sua inevitabilidade, mais tarde é lançada uma versão mais suave dessa medida. Exemplo: em vez de 30% de aumento da electricidade, esta poderá aumentar “apenas” 15%.

Isto é usar a comunicação social para medir o pulso das medidas pretendidas.

Notícias via política: nesta tese seria a comunicação social a inventar, ou a aceitar fontes sistematicamente não-credíveis como confiáveis, notícias para capitalizar edições vendidas. Seriam exercícios de especulação, fantasiosos, em que alguns até poderiam coincidir com a realidade. Um pouco à semelhante do que acontece nos jornais desportivos a propósito das contratações de jogadores.

Existem mais cenários possíveis, como é óbvio, e provavelmente até poderá ser que aconteça um pouco de todos na realidade. Mas não deixa de ser estranho esta constante noticiar de falsas medidas.


sábado, 14 de maio de 2011

O programa que "só" a troika soube fazer

A troika esteve cá 15 dias e fez um programa de combate à crise como nenhum governo até hoje foi capaz de fazer.

Depois da vinda da troika a Portugal para acordar os termos do empréstimo internacional, frases na linha da de cima foram-se repetindo por diversas pessoas em diversos lados.

Independentemente da boa ou má opinião que se tenha dos nossos políticos, governantes e governos, a ideia expressa é errónea.

A troika pôs um plano de recuperação da dívida no papel, sem olhar a questões sociais e sem conhecer o país. Mas sobretudo, sem ter que se sujeitar a eleições. Ou seja, um plano meramente técnico que assume o cenário ideal: ausência de efeitos de contestação e cumprimento genérico.

Os partidos e os governantes têm o cenário oposto: oferecem um plano que vai ter concorrência dos dos outros partidos e estão sujeitos a eleições. Não podem ignorar as questões sociais, a contestação, o incumprimento, as fraudes, etc. Ou seja, têm que enfrentar o país real.

Algures entre estas duas realidades, i.e. entre o melhor plano teórico e o melhor plano eleitoral, estará certamente a virtude, o que indiciará provavelmente um problema de modelo. Independentemente disso, são de facto realidades diferentes, pelo que não faz sentido comparar o “programa” da troika com qualquer dos programas de governo do passado.


quarta-feira, 11 de maio de 2011

As erradas "justificações" para votar PS

Do que tenho percebido existe a ideia generalizada que os recentes governos do PS, de Sócrates, foram maus, ou mesmo bastante maus.

Ainda assim existe uma considerável parte dos eleitores dispostos a reeleger o PS para formar governo.

Porquê? Estas são as justificações que mais oiço:

  1. porque a crise foi internacional, logo o governo pouco ou nada podia fazer;
  2. porque não existe alternativa melhor;
  3. e a mais recente, porque qualquer governo terá que implementar as medidas da troika, por isso tanto faz.

Com o devido respeito, nenhuma das justificações parecem fundadas, soam antes a desculpa para justificar um voto incondicional. Vejamos:

  1. a crise internacional causou uma falta de acesso ao crédito, mas o maior dos nossos actuais problemas é o estado ter contraído crédito a mais. Não foi essa crise que fez o estado português aumentar a dívida pública de 90 mM eur em 2005 para os actuais 160 mM eur;
  2. a qualidade das alternativas é desconhecida, mas a da continuidade é má. É uma escolha entre o certamente mau e hipotético mau. Ora entre a certeza do mau e a incerteza do risco, creio ser preferível o risco;
  3. as medidas da troika não constituem per se a totalidade de um programa de governo, portanto há margem para diferenciação. Mas ainda que assim fosse, existe o factor concretização. Se o actual governo já deu mostras de não conseguir concretizar os seus próprios orçamentos, é pouco credível que consiga concretizar as medidas da troika.

O circuito fechado da política e comunicação social

Os políticos tentam convencer a população e a comunicação social chega à população. Por outro lado a comunicação dinamiza-se com novidade de conteúdos e os eventos políticos constituem novidade (ainda que recorrente).

Isto causa um circuito fechado: os políticos tendem a usar primariamente a comunicação social para chegar à população e a comunicação social tende a conceder espaços generosos aos políticos para dinamizar os seus conteúdos.

É um fenómeno interessante, mas corre o risco de se tornar vicioso. Isso acontece se o político eleger a sua presença na comunicação social como um fim e não como um meio de chegar à população. Nesse caso a sua presença e mensagem será optimizada para o formato que melhor efeito produz na comunicação social em vez de optar pela mensagem que melhor esclarece a sua posição. Por seu turno a comunicação social vai privilegiar e valorizar quem atrai mais audiência.

Este efeito faz-se sentir hoje em dia: o bom político deixou de ser o que apresenta as melhores propostas ou o que teve a melhor execução, mas antes quem teve a melhor “estratégia” de comunicação, o que montou o melhor ardil, o que “ganhou o debate” ou o que fez o melhor discurso. Coisas que realmente pouco importam na vida das pessoas.


O PS e o FUD

FUD: Fear, uncertainty and doubt, frequently abbreviated as FUD, is a tactic used in sales, marketing, public relations, politics and propaganda. FUD is generally a strategic attempt to influence public perception by disseminating negative and dubious/false information designed to undermine the credibility of their beliefs.

Incrível como o PS tem vindo a fazer FUD descarado. Primeiro foi FUD com os “mercados”, depois FUD com a crise política, a seguir FUD com o FMI, ainda FUD com as medidas apocalípticas que o FMI imporia e agora FUD com as propostas do PSD. É caso para se dizer: FUDa-se!