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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Eleições legislativas 2011, os resultados.

Embora tardiamente, eis a análise às eleições legislativas 2011.

  1. sondagens, continuam a ser uma ciência demasiado inexacta e estranha. Este sector deveria mais regulado (ver tabela abaixo);

  2. resultados… o que mudou das eleições de 2009 para estas? Na vertente dos candidatos, apenas o líder do PSD, todos os restantes eram os mesmos. Na vertente dos resultados, basicamente, o PS “troca” de resultados com o PSD e há um tombo relativo do BE. Estes eram resultados expectáveis em 2009 face ao desgaste do PS existente já nessa altura, não fosse a desgraça MFL;

  3. episódio, na ante-véspera das eleições, último dia de campanha, estava um apoiante do PS a distribuir folhetos partidários. A reacção da generalidade das pessoas era não aceitar ostensivamente, havendo umas quantas que ficavam a barafustar. Foi um indicador prático do que viria a acontecer dois dias depois.

Última sondagem do expresso vs realidade:

Sondagem expressoRealidadeDiferencial
35,538,63–3,13 psd
3128,05+2,95 ps
1311,74+1,26 cds
8,27,94+0,26 pcp
6,35,19+1,11 be

O PS continua a valer mais nas sondagens que na realidade, e ficaram por explicar aqueles persistentes “empates técnicos” ps-psd em que nem os clones do Sócrates acreditavam.


domingo, 5 de junho de 2011

Eleições legislativas 2011, a campanha.

Em Setembro de 2009 abria este blog, anónimo e generalista, sobre o qual já vinha a considerar há algum tempo (um dia farei um tópico sobre o assunto). E o factor decisivo para isso foram as eleições legislativas que se avizinhavam. De facto o primeiro artigo foi uma explicação do método de Hondt e a maior parte dos artigos desse mês reflectiam as eleições: sobre os debates, sobre a campanha, sobre os resultados, etc.

Talvez um dos mais interessantes seja o “Governo até quando”, onde questionava quanto tempo iria durar o, então, novo governo, dado o pouco suporte com que tinha ficado na Assembleia da República, a perda definitiva do chamado “estado de graça” (apesar da vitória) e os problemas que continuavam a existir apesar da propaganda em contrário.

Dito e feito. Um ano e meio depois cai o governo. Amanhã ver-se-ão quais os resultados, embora uma derrota significativa do PS seja mais que previsível, não sendo precisas sondagens da treta para ter essa percepção.

Porquê? Porque o país chegou a um estado financeiro completamente lastimoso em que o Estado não só não deu o exemplo, como se mostrou o pior comportado. Gastou-se em demasia, para poucos resultados visíveis. Agora é altura de pagar uma dívida de tal ordem que é praticamente inviável ser paga: o esforço para o fazer vai exigir recursos ao país que irão causar recessão, diminuindo a capacidade de gerar recursos para manter o esforço da dívida. Esta é a realidade que ninguém assumiu.

Voltando à “campanha”, duas partes:

  • os debates (tecnicamente em período anterior à campanha): prova-se que continuam a servir mais para alimentar o círculo fechado da política e comunicação social que outra coisa. Promovem o soundbyte e despoletam inúmeras análises sem qualquer interesse prático.
  • campanha: aqui houve grandes diferenças face a 2009. Enquanto nessa altura Sócrates era o lobo no meio de uns cordeirinhos a fazer meh meh, desta vez, sobretudo o PSD, armou a barraca e partiu à luta. Nesse aspecto estiveram bem, evitaram perder pela estratégia FUD do PS ou pelas contra-razões de voto (da propaganda já não havia perigo, dado o ponto a que as coisas chegaram entretanto).

Quanto às eleições, amanhã logo se vê.


quarta-feira, 11 de maio de 2011

As erradas "justificações" para votar PS

Do que tenho percebido existe a ideia generalizada que os recentes governos do PS, de Sócrates, foram maus, ou mesmo bastante maus.

Ainda assim existe uma considerável parte dos eleitores dispostos a reeleger o PS para formar governo.

Porquê? Estas são as justificações que mais oiço:

  1. porque a crise foi internacional, logo o governo pouco ou nada podia fazer;
  2. porque não existe alternativa melhor;
  3. e a mais recente, porque qualquer governo terá que implementar as medidas da troika, por isso tanto faz.

Com o devido respeito, nenhuma das justificações parecem fundadas, soam antes a desculpa para justificar um voto incondicional. Vejamos:

  1. a crise internacional causou uma falta de acesso ao crédito, mas o maior dos nossos actuais problemas é o estado ter contraído crédito a mais. Não foi essa crise que fez o estado português aumentar a dívida pública de 90 mM eur em 2005 para os actuais 160 mM eur;
  2. a qualidade das alternativas é desconhecida, mas a da continuidade é má. É uma escolha entre o certamente mau e hipotético mau. Ora entre a certeza do mau e a incerteza do risco, creio ser preferível o risco;
  3. as medidas da troika não constituem per se a totalidade de um programa de governo, portanto há margem para diferenciação. Mas ainda que assim fosse, existe o factor concretização. Se o actual governo já deu mostras de não conseguir concretizar os seus próprios orçamentos, é pouco credível que consiga concretizar as medidas da troika.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A estratégia de Cavaco...

Já se tinha percebido que a estratégia de Cavaco não é brilhante. Nunca foi, de resto. Em 1996 pretendia ser presidente para que "os ovos não ficassem todos na mesma cesta" (sic).

Agora é a estratégia do "eu bem avisei..." ("mas nada fiz", parece faltar).

Claro que é irrelevante qualquer estratégia numas eleições deste cariz. Por isso voltaremos a ter um senhor azedo, inútil, mas que bem avisa, no mais alto cargo da nação.

domingo, 18 de outubro de 2009

Santana, Lisboa e ideias.

Santana perdeu as autárquicas para Costa. É certo que a vitória de Costa só foi viabilizada com o voto útil do BE e PCP para o PS, mas também não deixa de ser verdade que faltou algum élan a Santana.

Desta vez não houve o entusiasmo de outros tempos e as próprias ideias deixaram a desejar. Vamos ser práticos. A agenda de Santana centrou-se em meia dúzia de pontos de chave, entre os quais:
- expansão dos contentores do porto de Lisboa;
- saída do actual aeroporto da Portela;
- nova ponte só ferroviária;
- portagens para entrar na cidade.

Vejamos...

Contentores e porto
É um problema comum a todas as cidades portuárias: a existência de uma enorme estrutura que ocupa uma zona nobre da cidade, a zona ribeirinha, desfigurando a cidade, trazendo trânsito pesado e poluição para a mesma, etc etc e tudo para satisfazer uma necessidade nacional. O problema das estruturas com finalidades nacionais é óbvio, e não se limita aos portos (embora seja clamoroso nestes), mas são casos que têm de ser pensados como um todo, e não em decisões avulso, conforme o protesto desta ou daquela edilidade.

Aeroporto da Portela
Não creio que seja uma decisão a caber à câmara. Mais uma vez estamos a falar de uma infraestrutura nacional cuja decisão deve ser feita a esse nível. Independentemente disso, se se fizer o novo aeroporto em Portela, de grande capacidade, faz sentido manter dois aeroportos internacionais a menos de 30km de distância? Será economicamente viável ou mesmo necessário?

Nova ponte só ferroviária
Aqui já se trata de uma infraestrutura regional, ainda assim não municipal. Não é a câmara de Lisboa que decide qual o perfil da nova ponte, nem tão pouco se a vai haver ou não. Lisboa continua a olhar apenas para o seu umbigo. "Não queremos mais carros a entrar em Lisboa" é uma frase recorrente. Mas mais pessoas a entrar já querem, certo? Portanto não só querem mais pessoas, como querem decidir de que forma vêm, como entram, a que horas saem, etc. Francamente se se vai gastar dinheiro numa ponte nova e se a diferença de custo para uma ponte bimodal não for substancialmente maior, quanto maior fluidez em absoluto tiver, melhor!

Portagens para entrar na cidade
Ah! Finalmente um assunto municipal. Mas em terreno perigoso! Mais uma vez Lisboa olha para o seu umbigo apenas. Que se limite o trânsito nesta ou naquela artéria, neste ou naquela bairro, tudo bem. Cobrar para entrar em Lisboa de um modo geral -- mesmo sendo apenas em algumas horas do dia, para carros só com um condutor -- é retirar o direito à livre circulação. E é abrir um precedente perigoso. Que tal o Algarve começar a cobrar portagens nos acessos às praias durante o verão? Ah pois!


Tirando o caso dos contentores, que é um assunto bem mais complexo, com o devido respeito o resto ou pouco ou nada depende do município ou é um tiro no pé. Com Costa não vão haver grandes obras, grandes projectos, nem grande desenvolvimento. Basicamente Lisboa vai ter 4 anos de manutenção. Santana seria mais dinamizador, mas também mais problemático.


PS: não deixa de ser irónico que nas legislativas tanto se tenha apelado ao voto útil, tendo havido uma enorme votação "inútil", que bem fez crescer os pequenos partidos. Já nas autárquicas, em Lisboa, sem que ninguém os pedisse, eles vieram.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Europeias, legislativas, autárquicas e já está.

Pronto. Três eleições depois a que chegámos? Um PS que reergue a cabeça, com algum reforço moral embora em posição mais desconfortável do que tinha há 4 anos, um PCP destroçado, um CDS e BE sem saberem bem o que quer que seja e um PSD rebentado.

De resto foi um thriller interessante.

Vejamos...

Após quatro anos de contestação incontestada, descontentamento generalizado, e algumas trapalhadas à mistura em relação à governação de José Sócrates, este mantinha-se com uma áurea de invencibilidade democrática baseada em sondagens erradas.

Assim chega-se às europeias com o PS favorito. Só que perde e tem um resultado miserável (26,58% vs 44,53% em 2004). Entretanto Manuela Ferreira Leite, que já começava a ser contestada na altura por ser aquilo que é - FRACA, FRAQUINHA, FRAQUISSIMA - ganha um autêntico balão de oxigénio que a faz voar até as legislativas, convencendo-se mesmo que até as irá ganhar.

Como nesta vida não há milagres, a senhora destrói o partido e consegue o impensável, mesmo antes das europeias: ter um resultado ao nível do de 2005, em condições substancialmente melhores, e dar de mão beijada a maioria, embora não absoluta, a um partido que merecia deixar de ser governo. Pelo caminho os ditos pequenos partidos CDS e BE cresceram bastante, embora à sua escala. A CDU cresceu marginalmente mas perdeu relativamente influência.

Nesta "dinâmica", como lhe gostam de chamar no jargão dos analistas, de vitória do PS e derrota do PSD, este último, o grande colosso das autárquicas, perde cerca de 20 câmaras, ganhando o PS outras tantas. No meio o CDS e BE reduziram-se à sua insignificância política local e a CDU continua a perder influência.

Fim de história.
Agora venham de lá os abutres.

Resultados das eleições autárquicas...

O PSD ganhou mais câmaras e como tal é vencedor das eleições.

Em 2005 o PSD tinha 157 câmaras, agora tem 139 e perdeu Lisboa.
Já o PS tinha 109, mas ficou com 131.
A CDU tinha 32, passou a 28 (perdeu 7 e ganhou 3).
Tanto o BE como o CDS (isolado, dado que concorreu em muitas câmaras  coligado com o PSD), mantiveram a sua câmara unitária.
(resultados à hora em que escrevo isto)

Isto resumidinho, o PSD ganha mas com um amargo sabor de derrota, enquanto ao PS acontece precisamente o oposto.

Ao contrário do que diziam todos os "especialistas" da praça, é agora bastante claro que houve efeito contágio das eleições legislativas para as autárquicas. Apesar de serem eleições diferentes, com especificidades diferentes, a verdade é que a dinâmica de vitória do PS das legislativas influenciou de algum modo muitos dos resultados que se verificaram.

Também ao contrário do que diziam alguns "especialistas", com tanta câmara a mudar de mãos, não houve, NÃO houve uma tendência de continuidade generalizada, de forma a reeleger os que já lá estavam. Aconteceu em muitos casos, como sempre acontece, mas houve demasiados a mudar, como não é costume acontecer.

As sondagens da treta atacam outra vez.

Bem se queixou Santana Lopes e com razão. As sondagens deram-no sempre a 8, 9, 10% de Costa. Em especial as da Universidade Católica tendem a beneficiar uns (PS, BE) em prejuízo de outros (PSD, CDS). Isto numa leitura meramente factual da coisa.

Já se sabe que existem erros, tal e tal. Mas sempre para os mesmos? Há qualquer coisa que definitivamente não está a funcionar bem.

Voltando a Santana, a diferença final face a Costa foi de 5%. Mas sobretudo obrigou à contagem até às ultimas 4 freguesias, para se determinar com certeza qual seria o vencedor, e apenas após o fecho da penúltima freguesia se soube a distribuição de vereadores final (9 PS, 7 PSD e 1 CDU; durante muito tempo esteve no ar a hipótese 8-8-1). Ou seja, aquilo que eram favas contadas transformou-se numa luta renhida até ao fim. Muito longe da ideia que era transmitida dia após dia pelas sondagens.

O problema disto nem são tanto as sondagens per se, mas o valor que se lhes dá. E aqui os órgãos de comunicação têm toda a responsabilidade.  Porque lhes dão demasiada credibilidade por razões comerciais. Sempre que publicam uma sondagem, a ladainha é a mesma: "se as eleições fossem hoje ganhava o x com n, o y ficava assim e assado". Não! Não aconteceria nada disso. Se todos o sabemos, porque continuam a insistir na mesma parangona?!


PS: de qualquer forma desta vez, com ou sem sondagens, dificilmente Santana lá chegaria.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Ironias do voto útil.

Se voto útil é votar noutro partido que não o que representa alguém, por questões de utilidade, então tira sentido ao conceito de democracia representativa.

Por outro lado se um dado voto não é útil, é porque é inútil, logo não faz sentido votar.

Depois queixam-se da abstenção e da qualidade da nossa democracia.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Sondagens da treta e comparações estúpidas.

Ainda sobre as últimas eleições...

Mais uma vez houve falhanço das sondagens. É certo que não são uma ciência exacta, mas têm andado com erros tendenciosos nos últimos tempos. O problema é que erram sempre para o mesmo lado. Vimos sondagens a dar 12% ao BE e 40% ao PS, quando esses partidos tiveram 9,85% e 36,56% respectivamente. É uma diferença grande, especialmente quando é posta em confronto com outros partidos. Por exemplo, nas sondagens que davam 40% ao PS, o PSD aparecia com 29% que se veio a confirmar, mas não a brutal diferença face ao PS. O mesmo é aplicável ao BE, que apareceu sempre como 3ª força política, quando na realidade foi 4ª e com substancialmente menos votação do que lhe era atribuído. Já o CDS-PP teve mais votos que qualquer sondagem lhe dava.

O mais estúpido é haver quem as assuma como valores certeiros e as trate como se fossem eleições que medissem ao certo o eleitorado. Um dos muitos exemplos que já li: "PSD partiu de um empate técnico [nas sondagens do início de campanha] e veio a perder com 7% de diferença". Esse empate técnico provavelmente nem existiu. Como é possível medir a evolução de um partido comparando os valores ficcionais de sondagens com os valores reais de uma eleição?!

Resultados eleitorais...

Eleição para a Assembleia da República - 27 de Setembro de 2009.

Resultados interessantes, embora algo expectáveis. Para mim a única surpresa foi a derrota tão profunda do PSD. Grandes derrotados: PSD e CDU (PCP).

PCP vai para o fim da bicha tornando-se cada vez mais irrelevante. O que é pena porque até é um partido "simpático". Mas isso já não chega.

PSD... Manuela Ferreira Leite (MFL) era uma catástrofe. Percebia-se isso, sentia-se isso. Mas foi mantida pelo estado maior social-democrata. O problema acaba por nem ser tanto tanto Ferreira Leite em si, mas antes a intelligentzia do partido que sai daqui derrotada. Os barões, os "credíveis", vêem agora quanto valem. Conseguir resultados quase tão baixos como Santana em condições muito mais favoráveis seria quase inconcebível, mas MFL conseguiu-o. Hasta la vista!

CDS-PP é justamente premiado com a coerência de ideias e discurso esclarecido. Focou alguns temas que preocupam os portugueses e apresentou propostas válidas.

BE, onde vêm ter os frustrados do PS. Não chega para os pôr nos píncaros como esperavam, e como as sondagens, ERRADAMENTE, faziam crer.

PS, boa vitória tendo em conta o (mau) trabalho apresentado. Os próximos 4 anos -- se lá conseguirem chegar -- vão ser seguramente diferentes dos anteriores. Basta pensar na quantidade de moções de censura que "sofreram" na ainda actual legislatura.

Abstenção: aumentou significativamente. De certa forma é lógico. Basta pensar em voto útil para perceber porquê.

Sondagens: não se compreende como continuam a insistir nos mesmos erros. Davam 40% ao PS, 12 ao BE%, enquanto punham o CDS sistematicamente como o partido menos votado... Onde estão esses valores agora?

Já agora a diferença entre os resultados finais e a minha previsão:

partido
% real
% palpite
diferença
PS
36.56
35
-1.56
PSD
29.09
33
+3.91
CDS
10.46
9
-1.46
BE
9.85
9
-0.85
PCP
7.88
9
+1.12


Exceptuando a desgraça do PSD, nada mau para um palpite. Melhor que muitas sondagens "científicas".

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

A pior campanha de sempre?

Amanhã é o último dia da campanha das eleições para Assembleia da República de 2009.

Não sei se foi a pior campanha de sempre, mas deixou muito a desejar. O que é que se retém da mesma? Casos, demagogia, patetice:
- as alegadas escutas presidenciais,
- a pressão espanhola para se fazer o TGV, o que derivou em ...
- falsas questões de nacionalismo e patriotismo,
- acusações ou insinuações mútuas sobre quem é mais "salazarento",
- as pseudo asfixias.

Dificilmente se esperam coisas boas duma campanha, mas normalmente esperam-se ataques baseados em factos políticos, acções, dados, estatísticas. Podem ter mais ou menos ética, ser mais ou menos verdadeiros, mais ou menos falsos, mas têm um princípio. O que aconteceu nesta campanha foi destruição pura e dura.

Quem ganhou mais com isto? O PS. Nenhum dos temas que fragilizavam o partido do governo foi suficientemente explorado e definitivamente nunca estiveram na ordem do dia: as promessas por cumprir, o aumento de impostos, a regressão em todos os indicadores económicos, a política propagandista de anúncios não concretizados, fracasso na segurança e justiça...
Em vez disto fez-se a política de arremesso de lama. Isto justifica que o PS, apesar de no discurso ter defendido não querer falar de casos, na prática os tenha sempre trazido convenientemente para a ordem do dia.

Enquanto os outros partidos não conseguiram desgastar o PS face à sua acção governativa, os moldes em que a campanha decorreu fizeram-lhe uma espécie de reset, face aos "não-assuntos" em que se perdeu.

Dito isto, e não sendo um adivinho ao contrário de outros especialistas da praça, desta feita vou tentar adivinhar os resultados. Aqui fica o meu palpite, sem casas decimais:
- PS 35%
- PSD 33%
- CDS 9%
- BE 9%
- PCP 9%

Domingo logo se verá.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Impostos e receitas, quem os não quer?

O PSD, através da MFL, muito tem propagandeado o facto de não aumentar impostos caso ganhe as eleições, e se possível, até descê-los.

Acontece que o actual governo já tem programado um próximo aumento dos mesmos (independentemente do nome que se lhe dê), embora ainda não em efeito. Desta vez é o novo regime contributivo para a segurança social, que vai aumentar substancialmente as contribuições (obrigatórias) para este sistema por parte de empresas e trabalhadores independentes.

O PSD, que sem grandes pudores tem prometido cortar com algumas políticas do actual governo, e numa primeira fase criticou até este novo código contributivo, de repente ficou mudo sobre este caso e até, paulatinamente, lá vai dizendo que não vai mudar nada na segurança social, o que leia-se, significa manter o novo código e as respectivas receitas adicionais.

Por outras palavras: o aumento é para avançar, quer ganhe o PS, quer ganhe o PSD. Os primeiros obviamente, pois são os autores da medida. O PSD porque lhe interessa as receitas adicionais, e sendo estas da responsabilidade do governo anterior, embora só entrem em vigor em 2010, tanto melhor.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Debates para encher chouriços...

(grafismo: Sol)


Eis-nos chegados ao fim da série de debates entre os líderes dos partidos com representação na AR. Foram dois a dois, em sessões de 45 minutos, com os temas a voaram entre curtas intervenções.

Muito sinceramente... bullshit. Não é que qualquer debate não o costume ser, mas estes em particular abusaram. Além do tempo ser pouco, o formato dos mesmos foi pobre. O jornalista lança um tema e espera que em 2,5 minutos seja respondido com clareza, sem demagogia? Depois vira a agulha para o outro e muda-o? Ou retoma-o mas noutro contexto? Não funciona.

Com este modelo assistiu-se sobretudo à pequena trica política, às questões de pormenor, à sobre-argumentação de detalhes.

Ao PS interessava debates amorfos, para perder-se na pequena trica política que o favoreceria. Atirar responsabilidades para outros, procurar ou inventar falhas nos discursos e programas dos opositores, para afastar a atenção dos últimos anos da sua governação.

É sabido que ao partido de governo nunca interessa discutir a sua governação, como bem foi demonstrado por Cavaco Silva em 1991 que pura e simplesmente recusou qualquer debate que fosse.

Ao PSD interessava também estes debates sem sal, pois não são definitivamente o prato de Manuela Ferreira Leite. Quando mais estéreis e menos decisivos fossem, tanto melhor.

Aos ditos pequenos partidos, PCP, CDS e BE, interessava mais e longos debates, para se fortalecerem, explorando a ideia que os problemas da nossa sociedade são da responsabilidade dos dois maiores partidos, que a espaços têm partilhado por inteiro o poder, que são alternativa, etc...

O que sai disto tudo? Uma mão cheia de nada! Tirando alguns apontamentos, como as já tradicionais gaffes de Ferreira Leite, a normal cara de pau de Sócrates agora na vertente de cordeiro, a constante encenação de Portas, o descrédito programático de Louçã e o vazio do nacional "porreirismo" de Jerónimo, nada de muito substancial.

Afinal foi precisamente para isso que os debates foram negociados...